Grupos e Projetos de Pesquisa

Mandrágora

  • Encontros: 5as feiras, 17h. Duas vezes por mês.
  • Líderes: Sandra Duarte de Souza; Clarissa De Franco
  • E-mail: sandra.souza1@metodista.br; clarissa.franco@metodista.br

O Grupo de Estudos de Gênero e Religião Mandrágora/Netmal, tem como objetivo propiciar a reflexão interdisciplinar e interseccional sobre gênero e religião. As pesquisas baseadas no eixo gênero e religião se justificam pelo simples fato de que existe aí uma intimidade pouco verbalizada, mas experimentada nas vivências em sociedade. Revelar essa intimidade é revelar também a cumplicidade da religião sobre o processo de socialização de gênero e de reprodução das assimetrias sociais.
Para alcançar seus objetivos, o Mandrágora/NETMAL realiza seminários e painéis de debate sobre temáticas diretamente relacionadas ao eixo gênero e religião. A percepção da riqueza das reflexões propiciadas pelos seminários, colocou um novo desafio ao grupo de pesquisa: sistematizar as discussões em uma publicação que pudesse alcançar um público ainda maior. É nesse contexto que surge a Revista Mandrágora. Esse periódico, o primeiro do Brasil com esse enfoque, tem sintetizado o esforço de compreensão da complexa relação entre gênero e religião, e tem abordado temas de ponta. É importante ressaltar que seu público leitor extrapola os limites da academia, cumprindo um importante papel junto a setores populares, particularmente, junto ao movimento de mulheres e a lideranças de diferentes expressões religiosas. Isso indica o alcance social desse grupo de pesquisa que desde o seu início, em 1989, se propôs a afirmar a centralidade do conhecimento situado na abordagem feminista. A afirmação do conhecimento como situado e encarnado, e a assunção da experiência como categoria epistemológica, redefinem e ressignificam a própria produção do conhecimento.
Por fim, o Mandrágora se propõe a lançar novas questões aos Estudos de Religião, evocando sujeitos e saberes até então ignorados por essa área de conhecimento, instigando-a a reavaliar seu estável quadro teórico, questionando seus métodos e propondo novas metodologias, explicitando a parcialidade das nossas aproximações teóricas, admitindo instabilidades e rejeitando enquadramentos.

Memória religiosa e vida cotidiana: interpretações historiográficas e teológico-literárias

  • Encontros: Quintas-feiras – 14h às 17h – Duas vezes por mês.
  • Líder: Lauri Wirth
  • E-mail: lauri.wirth@metodista.br

O grupo de pesquisa Memória Religiosa e Vida Cotidiana prioriza investigações com foco no cotidiano de atores e atoras sociais, na medida em que o cotidiano se mostra como o espaço e o tempo em que as relações sociais se concretizam e se transformam em experiências de sentido. A partir da história oral e de fontes escritas pretende-se identificar, visibilizar e problematizar as experiências religiosas do cotidiano a partir dos argumentos, das interpretações e das atribuições de sentido dos sujeitos históricos destas experiências, intentando captar suas redes de significados, nos micro-espaços das relações familiares, nas estratégias de sobrevivência cotidiana e em suas articulações com os discursos religiosos dominantes. Historiografia, neste sentido, é necessariamente um exercício de estranhamento, na medida em que seu foco está nas vozes que dizem algo diferente do que ouvimos com nossas chaves de leitura. O foco está, pois, na maneira como atores sociais concretos se apropriam de conteúdos e significados em contextos históricos específicos. Assim fazendo, não produzem necessariamente um novo discurso, mas pervertem os discursos e as práticas normativas, revelando, indícios de inconsistências, ambiguidades e fissuras do religioso instituído. A historiografia busca as linguagens deste mundo que está além das regras hegemônicas, das retas doutrinas, da leitura culta e erudita de ritos, símbolos e mitos. Em outras palavras, a linguagem religiosa não se evidencia nos sentidos em si de um código religioso, mas nos usos destes códigos em circunstâncias históricas concretas e nos deslocamentos de sentido operados por estes usos. Não se trata, contudo, de opor simplesmente o popular ao erudito, a religião institucionalizada às expressões populares da religião. O desafio reside na possibilidade de captar os sentidos da relação entre estes universos e os múltiplos dispositivos que regem esta relação.
Abrem-se, assim, novas possibilidades também para a elaboração teológica, com uma leitura que priorize o processo de reelaboração dos símbolos religiosos a partir das experiências dos grupos e suas formas de representação encontradas no cotidiano. Assim, os textos clássicos, considerados normativos pela tradição dos grupos religiosos, podem ser estudados não mais como normatividade teológica, mas como interlocutores entre outros, neste diálogo com os diferentes aspectos da religiosidade dos grupos.

RASTROS – Estudos de memórias e tradições cristãs e judaicas

  • Encontros: Segunda-feira – datas e horário a combinar
  • Líderes: Marcelo da Silva Carneiro e Paulo Roberto Garcia
  • E-mail: marcelo.carneiro@metodista.br; paulo.garcia@metodista.br

O grupo tem por premissa estudar o fenômeno literário e cultural do judaísmo no período do Segundo Templo e do judaísmo formativo, em paralelo ao Cristianismo Primitivo, considerando o período do séc. IV aEC até o séc. IV EC. São analisados textos, iconografias e cultura material pelo viés histórico, exegético, hermenêutico, semiótico e literário, buscando entender, entre outras coisas: a relação entre o judaísmo pré-rabínico e o surgimento do Cristianismo; o pensamento judaico apocalíptico e sua interface no cristianismo primitivo; a relação dos grupos seguidores de Jesus com outros grupos judaicos, bem como o processo de distanciamento deles: a elaboração da literatura judaica e cristã como expressão de diferentes movimentos e leituras a respeito da realidade, superando a dicotomia entre canônico e não canônico, também como expressão de diferentes teologias e formas de crer. O grupo terá sempre um tema semestral ou anual, cujo foco atenderá um dos aspectos, com possibilidade de intercâmbio e colaboração de pesquisadores e pesquisadoras de outras instituições, nacionais e internacionais. O Grupo está vinculado à Área Linguagens da Religião, Linha de Pesquisa Religião e Literatura no Mundo Bíblico.